Meu nome não é Johnny. É Dionni.
Eai pessoal, tudo bem
com vocês?
Meu nome é Dionísio, mas podem me chamar de Dionni... (sim,
com dois Ns... isso me dá mais um ar mais jovial, não que eu queira parecer
mais jovem, mas é porque sou jovem)
Faço parte de uma família de deuses, apesar de muitos
acharem que nunca existimos e que somos parte de uma mitologia. Mito, eu? Não,
por favor. A referência de “mito”, principalmente aqui no Brasil, não é das
melhores.
Inclusive, esse povo brasileiro não sabe escolher seus
“mitos” e seus “heróis” da nação... então prefiro que nem façam comparações.
Sou real e verdadeiro (bemmm diferente dos mitos eleitos pelas terras da
Pindorama).
Política é um assunto que me interessa muito. Inclusive
teremos algumas conversas sobre esse tópico, mas vou tentar contar com concisão
o quem eu sou e que estou fazendo por aqui...
Pois bem, sou originário da Grécia e por lá, ainda sou
referido como uma divindade, sou conhecido no mundo inteiro, não só pelas
grandes festas que eu costumava dar, mas pelas inúmeras histórias que buscam
significar a minha existência.
Sou filho do grande Zeus, mas minha origem é um pouco
incerta... mas vou tentar explicar a versão que contaram pra mim quando eu
ainda era pequeno...
Meu pai tinha um costume muito inteligente (que eu herdei,
inclusive). Ele adorava se disfarçar de mortal e “dar uns rolês” pelas cidades da Grécia antiga. Em uma dessas “voltinhas”,
ele conheceu uma humana chamada Sêmele (que era linda, aliás... creio que devo
ter herdado a beleza dela) e jogou todo seu charme de deus pra cima dela, aí
não preciso dizer mais nada... ela caiu nas graças do meu pai e engravidou.
Porém, o meu velho já era casado (uma história bem comum nos
dias de hoje, não é mesmo?) e era casado com um mulherão da pohha, conhecida
como Hera. Hera é uma deusa ciumenta e quando descobriu a traição foi atrás de
vingança (inclusive a palavra “vingança” é uma das mais usadas pelos meus
parentes e conterrâneos... ôhhh povo que gosta de se vingar por qualquer
motivo).
Hera, ardilosa como sempre, armou um plano e fez meu pai
aparecer na forma de deus pra minha mãe e quando ele surgiu em forma de raios e
trovoadas, incendiou o castelo e fez minha mãe em pedacinhos. Eu tinha uns 6
meses por ai - e alguns contam que
também fiquei em pedacinhos – porém o grande Zeus juntou minhas partes e
colocou em uma das coxas e fui gerado ali. Quando eu nasci fui perseguido por
Hera que tentou várias vezes me matar. Morei um tempo na casa dos meus tios
(tive que me vestir de menina pra fugir da fúria da deusa) e depois meu pai me
entregou pra um grupo de ninfas que me criou.
Eu já estava adulto quando encontrei Hera e a confrontei,
sei que ela nunca aceitou muito bem a traição do meu pai e conseguiu a vingança
que ela queria. Não lembro exatamente o que ela fez comigo, entrei num transe e
perdi a minha consciência, vaguei por várias cidades e minhas andanças me
levaram até Frigia, onde foi recebido por Cibele, a deusa da terra.
Lá, fui iniciado no culto religioso e curado da minha
loucura, ficando com Cibele para aprender seus rituais e práticas. Fui super
bem tratado e aprendi muitas coisas com ela. Criei meus próprios hábitos e meus
próprios cultos. Diferente dos meus parentes, que gostavam de se distanciar dos
mortais para fazer suas festas, eu amava (e ainda amo) juntar a galera e beber
até cair. Aprendi muito sobre agricultura e aprofundei meus estudos na produção
de uva e na feitura de vinhos. Creio que deva ser por isso que ligam meu nome a
esta bebida deliciosa. Confesso que só desenvolvi as técnicas de produção de
bebidas (e outras “cositas más”) por causa das festas, das danças e das
pessoas. Sempre gostei de estar entre elas, de rir e fazer da carne um objeto
prazer extremo. As festas regadas a vinhos dos mais diferentes tipos (desenvolvidos
por mim) rolavam inúmeros delírios e todo o prazer era bem-vindo.
Creio que seja pela minha proximidade com as pessoas que
muitos cultos eram feitos em minha homenagem, inclusive, posso dizer com o
orgulho que o desenvolvimento do Teatro Grego teve origem em um dos cultos
prestados a mim em Atenas, por isso sou considerado o protetor e a divindade do
Teatro.
Ahhhh... que saudade daquele tempo... rolavam inclusive
grandes festivais em minha homenagem, na qual escritores concorriam com suas
obras, chamavam-se “Grandes Dionisias” ou
“Dionisias Urbanas”. Estes momentos não eram só regados a bebida não...
rolava uma pegada política no evento. Ocorriam rituais como o sacrifício de um
leitão e o derramamento do sangue para purificação do palco e uma série de atos
com sentido cívicos, políticos e militares. Como a galera da Grécia era super
ligada nas guerras, aconteciam também a apresentação dos novos guerreiros e até
a emancipação de escravos. As dionisias duravam quase uma semana, eu gostava
muito do concurso de ditirambo, que acontecia durante dois dias inteiros, que
eram seguidos pelos concursos de comédias e lá pelos últimos dias (no quinto e
no sexto) acontecia o concurso de tragédias onde cada competidor apresentava
sua trilogia e um drama satírico.
Pois bem, eu criei este espaço virtual para que possamos, na
atualidade, reviver um pouco das Dionisias Urbanas. É claro que não vou fazer
sacrifícios aqui, mas vou tentar contar um pouco da trajetória do teatro aqui
pelo ocidente.
Vou fazer alguns comentários sobre as obras da minha
preferência, além de apresentar pra vocês algumas pessoas que foram importantes
na manutenção e na criação da arte teatral, para que ela sobrevivesse até os
dias de hoje de maneira soberana.
Claro que apresentarei a minha visão sobre o percurso do
Teatro, por isso, deixarei espaço para a interação de vocês. Daí a gente troca
ideia e abre nosso ponto de discussão.
Hoje contei um pouco sobre a hipótese do surgimento do
Teatro na Grécia e amanhã falarei de uma das minhas obras preferidas que foram
apresentadas em minha homenagem em um dos Festivais Dionisíacos. O nome da obra
é “Medeia” e ela é de um autor grego chamado Eurípedes.
Grande abraço e até amanhã.
Dionni.
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